Apresentação

Nossa experiência enquanto professor de música em escolas permite-nos afirmar, de início, que o ensino da música não deve ser voltado apenas para os profissionais da área ou aspirantes, mas também para os amantes da arte. Pudemos perceber também que, no geral, as aulas de música se restringem ao ensino de teoria musical no interior das salas de aula. No que se refere à parte específica de apreciação musical, identificamos que as aulas se limitam apenas à apresentação de músicas que o professor conhecia previamente para os alunos, e, com menos freqüência, a visitas programadas a salas de concerto.


Entretanto, nos dias de hoje, o acesso à música se tornou extremamente fácil e ágil, em virtude, sobretudo, da internet. Sites como o Youtube possibilitam-nos acessar e baixar vídeos, músicas e partituras, antes possíveis apenas se possuíssemos um CD, vinil, DVD, fita cassete e livros. Além disso, com a internet podemos, por exemplo, visitar as salas de concerto com apenas um clique; conhecer diversas interpretações de uma mesma peça e, até mesmo, conhecer obras inteiras de compositores, regentes ou instrumentistas. Por conseqüência, acreditamos que as aulas de apreciação musical poderiam ser incrementadas com os inúmeros e variados recursos que a internet disponibiliza.


Diante dessas constatações, convidamos-lhes a se entregarem ao mundo da música e se divertirem neste curso de Apreciação Musical Online, para conhecerem um pouco mais sobre alguns aspectos essenciais da música. O nosso objetivo, com isso, é o de estimular uma audição musical mais elaborada e consciente, fazendo com que o aluno-ouvinte compreenda o que acontece em uma determinada música e dê um padrão e uma organização mental aos sons. Buscamos, ainda, estimular os alunos-ouvintes a conhecerem e apreciarem os diversos estilos, composições e instrumentos.

Sumário

  1. A música (aula 1)
  2. A música (aula 2)
  3. Som, ruído e silêncio
  4. Elementos da música
  5. Pulsação
  6. Instrumentos musicais: divisão e famílias
  7. A música e sua forma
  8. Atividades finais I – Bolero de Ravel
  9. Atividades finais II – Pedro e o Lobo
  10. Conclusão

I) A Música – Aula 1

“A música é capaz de reproduzir em sua forma real, a dor que dilacera a alma e o sorriso que inebria”
Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Para iniciar nosso curso, perguntamos: O que é música? Elaborem uma definição sobre “o que seja música”.


Observação: Mesmo não tendo conhecimentos aprofundados na área, todos vocês conhecem e já ouviram música. Ou seja, já sentiram e experimentaram música em todas as suas formas possíveis (cantando, dançando, ouvindo…). Tentem lembrar, então, do que a música lhes proporciona ou proporcionou. Aproveitem pra dizer o que esperam da música, porque gostam (ou não) de música. Quando vocês escutam ou tocam música, vocês sentem prazer? A música é capaz de nos proporcionar outros sentimentos que não sejam prazerosos? Enfim, antes de tudo, a música é uma brincadeira, uma diversão e um prazer que nos traz alguma sensação ou sentimento e é a partir da vivência e da relação de cada pessoa com a música é que se consegue atribuir um significado a ela.


Atividade: Escrevam, agora, suas definições de música nos comentários (clique aqui). Leiam as definições dos seus colegas e façam comentários sobre, pelo menos, duas definições apresentadas. Vocês podem concordar ou discordar das definições apresentadas, mas justifiquem porque concordaram ou não. Ao final das discussões, teremos um ponto de partida para criarmos uma definição coletiva de música.

II) A Música – Aula 2

Para a atividade anterior, podemos ter como exemplos de resposta:


1) “Música é uma arte”.

2) “Música é um conjunto de sons organizados”.

3) “Música é som agradável aos ouvidos”.


Apesar de não existir uma definição única e verdadeira, vários autores já pensaram e escreveram sobre o que seria a música. J. Jota de Moraes, em seu livro “O que é música”, traz algumas definições a partir de alguns importantes compositores da história da música mundial. Guillaume de Machaut definiu música como uma “ciência que pode fazer-nos rir, cantar e dançar”. Por outro lado, Arnold Schoenberg disse que a “música expressa a natureza inconsciente deste e de outros mundos”. Já para Igor Stravinsky, a “música expressa a si mesma”.


Atividade: Diante desses significados, perguntamos novamente: Eles foram completos ao definir música? Caso não foram, o que faltou? Procurem na internet textos e links que abordem as diversas definições de música para que vocês possam completar suas definições iniciais (as que vocês fizeram na aula anterior) com os novos conhecimentos adquiridos na pesquisa. Publique suas novas definições nos comentários.


Leitura sugerida: Ouvido Pensante”, de Murray Schaefer

III) Som, ruído e silêncio

Nessa aula iremos discutir sobre o som, o ruído e o silêncio. Para isso, precisamos primeiramente diferenciar o som do silêncio. O significado da palavra som no dicionário é “o que soa aos ouvidos; qualquer emissão de voz simples ou articulada”, enquanto que o silêncio é definido como “estado de quem pára de falar; cessação de ruído; sossego; quietude”. Dessa forma, podemos concluir que som e silêncio estão em uma situação de direta oposição, pois o silêncio é justamente a ausência de som.


O som é produzido através da criação de vibrações ou ondas sonoras. Ondas sonoras são vibrações que se propagam no ar e no sólido.


Podemos classificar o som de acordo com determinadas características:


  • Altura – a altura de um som nos permite distinguir entre sons graves, médios e agudos. Sons graves são os de freqüência mais baixa e os agudos de freqüência mais alta.
  • Duração – é o tempo de sustentação de um som.
  • Intensidade ou dinâmica – é o grau do volume sonoro, a amplitude das vibrações. É determinada pela força ou pelo volume que um determinado agente produz sobre a música. Dinâmica é o ato de modificar as intensidades durante a peça.
  • Timbre – é a “cor” do som de cada instrumento (incluindo a voz humana), isto é, o som característico de cada instrumento.


Observação: Todo instrumento musical possui a característica de criar uma onda sonora, através de uma vibração.


No caso dos instrumentos que utilizam palheta (como o saxofone, o clarinete e o oboé), o soprar estimula a vibração de uma palheta de madeira, que fica na boca do instrumentista. Repare no vídeo a seguir do Professor Ivan Meyer, como a produção do som é realizada no saxofone após direcionar o ar para dentro da boquilha e se produzir uma vibração da palheta.



Por outro lado, nos instrumentos de bocal (como o trompete, a tuba e o trombone), a vibração é feita com o direcionamento do ar, mas o corpo que vibra não é uma palheta e sim os lábios.



Os vídeos Telecurso 2000 e Características do som completam o que expusemos nessa aula, ao apresentarem definições sobre som, silêncio, ruído, fonte sonora, onda sonora e percepção do som.




Atividades:


a) Após ver os vídeos, podemos perceber que há diferentes tipos de sons: os humanos, os naturais, os artificiais e os mecânicos. Feche os olhos e perceba os sons a sua volta nesse exato momento. Tente perceber todos os sons que puder. Anote-os e classifique-os. São sons humanos, naturais, artificiais, mecânicos, musicais e / ou ruídos?


b) Reflita: Existe o silêncio? Faça um comentário. Após o comentário, veja o vídeo e leia os textos complementares abaixo.



Silêncio, de Jorge Antunes


Curiosidade: Nós, seres humanos podemos ouvir freqüências (vibrações por segundo) entre 16 e 20.000 hertz (Hz). Outros animais possuem uma percepção diferente:

Um cão pode ouvir entre 10 e 40.000 Hz.

Um crocodilo, entre 20 e 6.000 Hz.

Uma rã, entre 50 e 10.000 Hz.

Um elefante, entre 20 e 10.000 Hz.

Um gafanhoto, entre 100 e 15.000 Hz.

Um chimpanzé, entre 100 e 30.000 Hz.

Uma aranha, entre 20 e 45.000 Hz.

Um gato, mínimo entre 30 e 60 e máximo entre 45.000 e 60.000.

Uma baleia, entre 40 e 80.000 Hz.

Um morcego, entre 1.000 e 120.000 Hz.

Um golfinho, entre 150 e 150.000 Hz.

Uma mariposa, entre 3.000 e 150.000 Hz.


Caso queiram aprofundar a aula, sugerimos como textos complementares:


Silêncio, de Jorge Antunes

Ouvido Pensante, de Murray Schaefer

Som e o Sentido, de José Wisnick

Um papinho, um violão e a bendita construção!”, do Telecurso 2000

A Força do Som”, do Portal de Ensino de Ciência

Esse barulho me deixa surda!, do Portal de Ensino de Ciência

A física no Youtube”, do Departamento de Física da Universidade de Coimbra


Caso queiram aprofundar a aula, sugerimos como vídeos complementares:


IV) Elementos da música

A música é, muitas vezes, fruto de uma imitação. Os compositores e músicos tentam imitar os sons ao seu redor (como, por exemplo, o som dos pássaros, de um sentimento, da natureza, de uma guerra, de uma situação, do mar e da cidade) e, através da observação, criam diferentes maneiras de reproduzir o que foi observado / sentido, utilizando, para isso, instrumentos musicais, vozes, sucata e inúmeros outros objetos como forma de expressão.


Veja o vídeo abaixo que ilustra brilhantemente a afirmação anterior:



Assim, desde os tambores tribais, passando pelos instrumentos medievais, às grandes orquestras, big bands, bandas de rock e aos novos instrumentos virtuais, os músicos buscam expressar a intenção musical imaginada.


Os estudiosos da música a dividem em três momentos: 1) o de ouvir a música; 2) o de interpretar a música; 3) o de compor a música. Em todos esses momentos, três elementos básicos estão sempre presentes:


1 – Melodia: Por melodia entendemos a sucessão de sons e de silêncios com intenção de dar vida, dar corpo aos sons, transformando-os, portanto, em música. Ou seja, o conjunto de sons dispostos em ordem sucessiva (concepção horizontal da música). Observem no vídeo abaixo como o cantor Bobby Mcferrin trabalha com o público o conceito de melodia. Ele pede para que a platéia imite os sons que ele reproduz e com seus movimentos, cria uma sucessão de sons que a platéia deve seguir cantando para formar uma melodia. Tente acompanhar e reproduzir com a voz os movimentos de Mcferrin.



2 – Ritmo: O ritmo é entendido como a duração e a acentuação dos sons e dos silêncios em uma determinada música. Em outras palavras, o ritmo é a ordem e a proporção em que os sons estão dispostos. Observe no vídeo do grupo STOMP como os ritmos são trabalhados.



3 – Harmonia: A harmonia é a combinação de sons simultâneos, o conjunto de sons dispostos em ordem simultânea (concepção vertical da música). Iremos assistir abaixo dois vídeos. No primeiro, Bobby Mcferrin canta a “Ave Maria” composta por Bach e Gounoud, acompanhado da platéia. A peça é executada em duas melodias simultâneas e desiguais que, ao serem executadas juntas, formam uma harmonia. No segundo vídeo, o grupo gospel Take 6 canta uma música harmonizada para seis vozes com melodias diferentes que, quando cantadas simultaneamente, se complementam.




Atividade 1: Nessa atividade iremos utilizar como interface o ORCHESTRATION STATION, do site da Orquestra Filarmônica de Nova Iorque para crianças. A proposta é que vocês escutem cada melodia de uma parte da peça “The old castle”, do compositor Modesto Musorgsky, para, depois, colocar essas melodias para tocar simultaneamente. Após ouvir as melodias, manifestem-se nos comentários, dando sua opinião e tentando analisar as características de cada uma das três melodias individualmente no que se refere aos seus elementos básicos (melodia, ritmo e harmonia).


Observação: Caso tenha alguma dúvida na utilização do Orchestration Station, segue abaixo algumas instruções básicas:


1) Clique no link e espere o programa carregar.

2) Clique em start activity.

3) No canto superior do lado esquerdo há uns bonecos com diferentes instrumentos (Trombone, Baixo, Violino, Clarinete, Violoncelo, Trompete). Escolha um desses bonecos, clique nele e depois clique na cadeira da primeira melodia. Coloque para executar através do triangulo verde.

4) Depois escolha outro instrumento e coloque na cadeira da segunda melodia. Coloque para executar através do triangulo verde.

5) Por fim, escolha outro instrumento e coloque na cadeira da terceira melodia. Coloque para executar através do triangulo verde.



Atividade 2: Esta atividade consiste em criar associações da música com sentimentos, palavras, situações, fotos, poesias, textos, ações… Escute com atenção as músicas e tente perceber o que as músicas dizem para vocês.

V) Pulsação

Como foi visto nas aulas anteriores, o ritmo é entendido como a duração dos sons e dos silêncios em uma determinada música. A palavra ritmo vem do grego Rhytmos e designa aquilo que flui, que se move ou movimento regulado. Para termos a sensação de movimento, utilizamos uma marcação contínua dos tempos denominada de pulsação. A pulsação dita a velocidade em que devemos executar a música.


Quando cantamos a música “Marcha soldado”, acentuamos naturalmente as sílabas tônicas das palavras da letra. Ao marcarmos uma pulsação (batermos palma) junto com o canto, podemos perceber que as batidas fortes são simultâneas às sílabas tônicas das palavras da canção. Percebemos, então, um ciclo acontecendo de dois em dois tempos. Chamamos esse ciclo de ciclo dos tempos binários.



Na música a seguir (“A Waltz for a Night”; cantada por Julie Delpy), podemos bater uma palma marcando o tempo forte da música, e depois outras duas palmas que representam os tempos fracos. Nesses casos, chamamos de ciclo dos tempos ternários.



Na música “Atirei o pau no gato”, batemos palmas marcando o tempo forte da música, enquanto as outras três palmas que batemos representam os tempos fracos. Nesses casos, chamamos de ciclo dos tempos quaternários.



Com base nessas idéias, podemos estabelecer a existência de “ciclos dos tempos” ou “padrões rítmicos” que as músicas irão apresentar. Em geral as músicas são compostas seguindo o padrão de dois, três ou quatro tempos, conforme os casos acima. Para relembrar:


  • Binário: Apresenta um tempo forte e um fraco.
  • Ternário: Apresenta um tempo forte seguido por dois tempos fracos.
  • Quaternário: Apresenta um tempo forte e três fracos.


Cabe notar que algumas músicas utilizam padrões diferentes, com cinco, sete, ou onze tempos. Mas são exceções, sendo mais comum o padrão de dois, três ou quatro tempos.


Após essa breve introdução fica a dúvida: Uma determinada música possui sempre o mesmo andamento? Não. Várias músicas começam com um andamento e permanecem com ele até o seu final, mas é bastante comum mudanças de andamento durante a peça ou de partes dela.


Atividade 1:

a) Cantem a música “Marcha soldado” e junto com seu canto marque a pulsação com a mão. Agora acentuem os tempos fortes e fracos. Vocês irão perceber que o tempo forte da música irá acentuar junto com a sílaba tônica da palavra.

b) Experimentem, agora, inverter a acentuação: ainda na música “Marcha soldado” marquem o primeiro tempo fraco e o segundo tempo forte. Isto é, vocês passarão a marcar os tempos fortes na mão as sílabas átonas da voz. Com isso, naturalmente, mudamos a acentuação das palavras. Fica estranho, não?


Atividade 2: Escutem as músicas a seguir e nos diga qual é o ciclo dos tempos de cada uma delas (dois, três ou quatro tempos).



Atividade 3: Essa atividade é avançada, mas não fiquem incomodados caso não a compreenda perfeitamente agora. A música a seguir se chama “Take five” e apresenta um ciclo de cinco em cinco tempos. Os músicos costumam achar mais fácil compreendê-la como uma seqüência de três e depois uma de dois: um, dois, três um, dois, dividindo os tempos em uma seqüência de dois ciclos: um binário e outro ternário. Apreciem a música e tentem contar os tempos ao ouvi-la.


VI) Instrumentos musicais: divisão e famílias

Conforme o título dessa aula indica, abordaremos agora os diversos instrumentos musicais. No entanto, antes disso, precisamos retomar dois assuntos preliminares já tratados nesse curso: o timbre e a altura do som.


Timbre é comumente chamado de “colorido do som”. O timbre é o que nos faz diferenciar um instrumento do outro, uma voz da outra. Mesmo dentro de um grupo de instrumentos semelhantes ou de vozes parecidas, temos diferenças de timbre, que caracteriza e diferencia a sonoridade de um instrumento / voz. Nos grupos vocais, por exemplo, os integrantes do coral são divididos em quatro vozes principais (o chamado “quarteto clássico”: soprano, contralto, tenor e baixo) e, apesar de cada voz reunir pessoas com timbre de voz muito parecidos e apesar de buscarmos homogeneidade no interior desses sub-grupos, cada integrante tem um timbre próprio, uma voz peculiar que a diferencia dos demais.


Quando falamos de altura do som estamos tratando da extensão do instrumento, ou seja, até onde o instrumento consegue ir tanto no grave e quanto no agudo. A altura do som é determinada pela freqüência das vibrações, isto é, da sua velocidade. Quanto maior a velocidade da vibração, mais agudo será o som, quanto menor a velocidade da vibração, mais grave será o som. Vale notar que a altura do som não se confunde com a intensidade do som. Esta última (intensidade) trata justamente do volume do som.


Em um coral misto, ao separarmos as vozes em masculinas e femininas, estamos fazendo uma primeira separação por timbre e por altura do som que se consegue alcançar (extensão). Naturalmente, as vozes masculinas são mais graves e as femininas mais agudas. Dentro das vozes masculinas podemos ainda dividir em outros três subgrupos: Tenores (vozes mais agudas entre os homens), Barítonos (vozes mais medianas entre os homens) e Baixos (vozes mais graves entre os homens). Nas femininas em Sopranos (vozes mais agudas entre as mulheres), Meso-sopranos (vozes mais medianas entre as mulheres) e Contraltos (vozes mais graves entre as mulheres). Portanto, o que diferencia essas vozes é a extensão das vozes (ou seja, uma chegar numa nota mais grave ou mais aguda) e o timbre diferenciado.


Veja abaixo uma peça coral escrita para essa formação:



Com relação aos instrumentos, os dividimos em famílias de acordo com os seus timbres.


Na orquestra, temos a seguinte divisão clássica: os instrumentos de cordas, os instrumentos de madeiras, os metais e a percussão. Dentro dos três primeiros grupos, ainda dividimos em pequenos subgrupos, utilizando como critério a altura e a extensão dos instrumentos. Nos instrumentos de corda, por exemplo, temos a seguinte classificação partindo do mais agudo para o mais grave: violino, viola, violoncelo e contrabaixo.


Diversos instrumentos estão fora dessa classificação (cordas, madeira, metais e percussivos), por serem instrumentos relativamente recentes. Um caso desse tipo de instrumento é o saxofone, que foi pouquíssimo utilizado nas músicas orquestrais. Apesar de ser um instrumento de corpo de metal, ele possuí uma palheta de madeira que é a responsável pela produção do som. Com isso, incluímos esse instrumento no grupo das madeiras, não apenas pela presença da palheta, mas sim porque seu timbre tem maior semelhança com os instrumentos desse grupo.


Vocês conseguem lembrar outro instrumento que não esteja incluso nessa classificação?


Com o advento da tecnologia e com a capacidade inventiva dos homens, vários instrumentos foram sendo criados e utilizados, dentre eles os instrumentos elétricos, como os teclados, as guitarras e o baixo elétrico, e também os instrumentos midi e os virtuais. Há, ainda, os instrumentos feitos com sucata e com objetos de uso cotidiano. Vejam os vídeos abaixo:






Ainda precisamos criar critérios para classificar esses novos instrumentos de acordo com seus timbres e alturas, para, assim, podermos melhor dispor e compreendê-los.


Atividade 1:


a) Pesquisem na internet quais instrumentos compõe as famílias das madeiras, dos metais e da percussão da orquestra clássica.

b) Disponibilizem links de mp3 ou de vídeos (através, por exemplo, do youtube ou do grooveshark) um instrumento de cada família nos comentários.

c) Pesquisem, também, como esses instrumentos estão dispostos na orquestra.


Atividade 2: Utilizem o Orchestration Station e brinquem novamente com os instrumentos, levando em consideração os seus timbres e como eles combinam entre si. Ao posicioná-los leve em consideração a altura de cada instrumento e coloquem os instrumentos graves para tocar a terceira melodia, os instrumentos médios na segunda e os instrumentos agudos na primeira.



Atividade 3: Escutem as músicas e tentem identificar os instrumentos presentes nas peças e classifique-os. Exemplo: violão – cordas, guitarra – elétrico, saxofone – madeiras.


VII) A música e sua forma

Será que a música segue alguma forma pré-estabelecida ou ela é composta através de improvisos?


Sabemos que a música é capaz de transmitir uma idéia, uma sensação, um sentimento, porque ela é organizada para isso. A forma na música é a maneira como os compositores organizam suas idéias musicais, sendo a tonalidade e o andamento organizados pela forma. Isso significa que a forma é a maneira como uma música é estruturada, do começo ao final de uma canção, para, assim, tornar a música mais coerente, para dar uma unidade a ela.


Portanto, respondendo a pergunta que iniciou a aula: a música tem forma, sendo esta a maneira como os compositores arrumam os elementos musicais (ritmo, melodia, harmonia e andamento) na hora de organizar suas idéias musicais.


Mas então não existe improviso? O improviso existe. Podemos definir resumidamente o improviso como uma ousadia, a experimentação de novas combinações de sons e de ritmos, buscando novos caminhos musicais, utilizando, para isso, novas técnicas de composição, novos timbres, novos instrumentos, novas sonoridades… Entretanto, no geral, o improviso é feito a partir de formas estruturadas, mantendo uma determinada forma e harmonia. No jazz e no rock, por exemplo, os músicos improvisam, mas sem perderem de vista a idéia principal da música. Ou seja, eles mesclam / relacionam, a todo o momento, o improviso com a estrutura musical já existente.




Assim, sabemos que a música pode ser fruto de um improviso e / ou pode ter uma forma determinada previamente. Uma das estruturas é a forma binária. Ela é composta de duas partes que se repetem fazendo a seqüência AABB. A parte A termina de forma suspensiva. Ela não dá a sensação de que a música se encerra. Essa forma suspensiva de terminar a parte se chama cadência imperfeita na tonalidade da tônica. Já a parte B termina de forma definitiva, dando sensação de fim. A esta chamamos de cadência perfeita na tonalidade da tônica.


Vejam o exemplo a seguir da música para fogos de artifícios composta por Haendel e observem a forma da música. A parte A vai até 12 segundos e repete até 23 segundos. Em seqüência temos a parte B que vai do segundo 24 até o 35 e se repete do segundo 36 até o 47. Após essas duas partes a música continua para outras seções.



Além da forma binária há várias outras formas de se organizar as músicas. A forma ternária, por exemplo, é caracterizada pela forma ABA. Ela é composta de uma exposição do tema na parte A, um contraste a melodia inicial na parte B e uma repetição do tema principal na segunda parte A. Ambas as partes A utilizam a mesma melodia e a melodia da parte B representa qualquer tipo de contraste e geralmente só aparece uma vez. A peça a seguir se chama “Chanson Triste” e foi composta por Tchaikovsky. Ela inicia com a parte a que dura 49 segundos. A seguir a música entra na parte B que faz contraste com a parte A. Esta parte termina com 1 minuto e 47 segundos de música, retornando a parte A. Esta parte A é uma repetição da primeira parte só mudando sutilmente o seu final para poder encerrar a música.



Atividade: Pesquisem na internet o que são a forma Rondó Simples e a forma Baixo Ostinato (“Basso Ostinato“), expliquem nos comentários como elas se apresentam e procurem nos sites disponíveis um exemplo de cada forma.

VIII) Atividades Finais I – Bolero de Ravel

Iniciamos as atividades finais do primeiro módulo com a análise do Bolero composto por Maurice Ravel. Antes de qualquer coisa escute a peça e aprecie.



Podemos observar durante a música vários detalhes desta obra complexa e inteligente. Nós temos um tema cíclico que se repete inúmeras vezes com a marcação constante da caixa no fundo. O andamento dela é constante, sendo uma característica fundamental da música. Ela foi planejada como um exercício de instrumentação e orquestração, ou seja, uma experimentação de todos os instrumentos da orquestra. A cada momento da música Ravel apresenta o seu tema com um instrumento diferente ou com uma combinação de instrumentos diferentes. Outro fator a ser observado é o crescendo constante que vai desde um “pianíssimo” (volume muito baixo) até um fortíssimo no final.


Atividade 1: Identifique 5 instrumentos que aparecem durante a música e os relacione nos comentários.


Atividade 2: A peça possui um tema cíclico que se repete. A pulsação utilizada é constante, permitindo que a duração completa de uma exposição do tema seja sempre a mesma. Quanto tempo leva a apresentação de um tema completo da música? Após descobrir o padrão confira em outros trechos da peça se realmente ela durou essa quantidade de tempo. A possibilidade de atrasos de um segundo pra mais ou pra menos é possível em virtude de serem seres humanos executando a peça, sujeitos a erros.


Atividade 3: Pesquise quem foi Maurice Ravel, em que momento essa peça foi composta e o período na história da música em que ela se encaixa.


Atividade 4: Pesquise as características do período em que essa música foi composta e veja se o “Bolero de Ravel” seguiu ou nao as características musicais desse período.


Atividade 5: Qual o ciclo de tempos (compasso) dessa música? A música possui uma forma bem definida? Qual a forma da música?


Textos complementares:


IX) Atividades Finais II – Pedro e o Lobo

Fechamos as atividades finais com o poema sinfônicoPedro e o Lobo” (Peter and the Wolf), do compositor russo Sergei  Prokofiev. A música foi composta em 1936, e tinha o objetivo de demonstrar as crianças os instrumentos da orquestra e as diversas sonoridades dos instrumentos. Cada personagem da história é representada por um instrumento diferente.


  • Passarinho: Flauta

  • Pato: Oboé

  • Gato: Clarinete
  • Avô: Fagote
  • Lobo: trompas
  • Caçadores: tímpano e bumbo, apesar de começar pelas madeiras
  • Pedro: quarteto de cordas


Agora, escutem as peças:



Seguem abaixo os vídeos da versão da Disney de “Pedro e o Lobo”:





Atividade 1: Quem foi Sergei Prokofiev? Pesquise um pouco sobre o compositor.


Atividade 2: Escute o tema do Pedro. Qual o ciclo de tempos (compasso) desse tema?


Atividade 3: Classifique cada instrumento da peça de acordo com sua família e altura (Grave, médio e agudo).


Vídeos complementares:


1) Walt Disney narrando como foi o encontro dele com Sergei Prokofiev para decidirem pela produção do desenho:




2) Pedro e o Lobo da Disney com narração em Português Portugal



X) Conclusão

Conforme afirma Bohumil Med: A música, escrita pelo compositor, para ser percebida pelo ouvinte, necessita de um intermediário, ou melhor, um intérprete. A música não é apenas uma arte, mas também uma ciência. Por isso, os músicos (compositores ou intérpretes) precisam, além de talento, uma técnica específica, bem apurada; e esta se aprende durante longos anos de estudo”. No caso deste curso, para desenvolver o ouvir crítico, o ouvinte precisa ter força de vontade, gostar de música, perseverança e ir se aprimorando no domínio da ciência musical, o que requer estudo e dedicação.


Esse curso de apreciação musical on line tem como objetivo estimular e desenvolver o ouvir crítico no aluno. Sem ter a pretensão de tratar de todos os conhecimentos no âmbito da ciência musical, nesse curso buscamos trabalhar alguns conhecimentos iniciais que julgamos fundamentais para o desenvolvimento de um ouvir musical mais atento e consciente, com uma linguagem bastante acessível, com atividades e interfaces de comunicação e com a utilização de conteúdos multimídia.


Agradecemos a todos que cursaram pelo apoio e esperamos ter alcançados os objetivos. Aceitamos e agradecemos quaisquer sugestões a serem feitas nos comentários desse post, de modo que possamos avaliar a viabilidade e a finalidade do curso e aprimorá-lo.