Som em vão

O poeta solitário

toca suas notas para todos

mas chegam para ninguem

quieto e  silencioso

o som do piano é abafado

por vozes surdas

risadas fúteis e roncos dos carros

todos ignoram

como juizes dos votos

atestando que naquele momento

a música morreu.

Nem ela se interessa por suas palavras num silencio sepucral

em um ambiente dionísiaco

o somsoa como sempre soou

mas dessa vez ninguem ouve ou tem interesse

so a alma do jovem pianista

que se alimenta desse som

permanece tocando

para si apenas

e para mais ninguem.

One Comment:

  1. o homem curva-se em si mesmo e viaja à semente para enfim rebentar na gênesis poética e apaixonada da sua sua música – ele mesmo

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Lincoln Castro